segunda-feira, 18 de julho de 2016

Margaret Widdemer

I saw the little daughters of the poor,
Tense from the long day's working, strident, gay,
Hurrying to the picture-place. There curled
A hideous flushed beggar at the door,
Trading upon his horror, eyeless, maimed,
Complacent in his profitable mask.

A poesia tem esta capacidade de  síntese. O trabalho infantil e  a pobreza sem floreados burocráticos nem trombetas políticas. A Margaret  nasceu na Pensilvânia e morreu,  em 1978, com 94 anos. 
Viu muito, contou muito.



domingo, 17 de julho de 2016

Instalação *

Sexo com calor 
obriga a cuidados redobrados,
diz  a direcção-geral de saúde:

lavem os dentes antes,
verifiquem a temperatura do óleo
e
usem parceiros descartáveis.

O director-geral vela por vós. 









quinta-feira, 14 de julho de 2016

Milosz, contra a mente captiva

I am afraid, so afraid of the guardian mole.
He has swollen eyelids, like a Patriarch
Who has sat much in the light of candles
Reading the great book of the species.

( 1943)

The captive mind, prosa, bandeira anti-estalinista, é famoso Nasceu lituano, morreu americano. Milosz foi Nobel em 1980, desceu na divisão da memória mediática e agora joga nos distritais. O pedaço do poema é da memoria do gueto de Varsóvia.  
Lutou pela resistência polaca contra os nazis, trabalhou para o regime comunista posterior, mas depois, claro, dissidiu: "O meu país tornou-se uma província do império", frase célebre numa entrevista ao Washington  Post.  Em Paris juntou-se ao pessoal da Kultura.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Sançõessasse


Um governo que governasse
o povo que amasse
ou
um povo que maçasse
o governo que passasse.

terça-feira, 12 de julho de 2016

O passado

Larkin escreve a Monica, 13 de Setembro de 1954. Está em Loughborough, a reler entradas do seu diário do primeiro semestre de 1941.  I depressed myself slightly. Isto porque reconhece um adolescente ( 19 anos) tolo que pregas partidas a gente desprevenida  e tem prazer em coisas infantis. Diz a Monica que tem de arranjar maneira de destruir os diários quando morrer.
O que tem piada é a conclusão paradoxal:

I am  no more master of my destiny than a tomcat is master of the Queen Mary.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Técnicas de vida

Gide a Valéry ( 11 Novembro de 1894) : É por instinto que nunca vou ao fundo das coisas, só amo os círculos viciosos.  Põr as peles em cimas das peles, não ligar às roupas dos outros. Fico feliz por encontrar defeitos na minha técnica de vida. Esta expressão técnica de vida, Gide atribui-a a Gustav Kahn, que por acaso   foi  o autoproclamado autor do verso livre que Valery só usou a espaços.

Não ir ao fundo das coisas é da boa poesia e das discussões conjugais. Ambas são técnicas de vida e nelas estamos sempre à procura dos defeitos.