terça-feira, 12 de julho de 2016

O passado

Larkin escreve a Monica, 13 de Setembro de 1954. Está em Loughborough, a reler entradas do seu diário do primeiro semestre de 1941.  I depressed myself slightly. Isto porque reconhece um adolescente ( 19 anos) tolo que pregas partidas a gente desprevenida  e tem prazer em coisas infantis. Diz a Monica que tem de arranjar maneira de destruir os diários quando morrer.
O que tem piada é a conclusão paradoxal:

I am  no more master of my destiny than a tomcat is master of the Queen Mary.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Técnicas de vida

Gide a Valéry ( 11 Novembro de 1894) : É por instinto que nunca vou ao fundo das coisas, só amo os círculos viciosos.  Põr as peles em cimas das peles, não ligar às roupas dos outros. Fico feliz por encontrar defeitos na minha técnica de vida. Esta expressão técnica de vida, Gide atribui-a a Gustav Kahn, que por acaso   foi  o autoproclamado autor do verso livre que Valery só usou a espaços.

Não ir ao fundo das coisas é da boa poesia e das discussões conjugais. Ambas são técnicas de vida e nelas estamos sempre à procura dos defeitos.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Vidas

Ela esperou por ele toda a vida,
ele esperou por ela a vida toda.

Isto no tempo
em que se levava uma
vida inteira
para ter
uma vida.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Folgar, tanger e bola

O grande  Gil, no Auto de Inês Pereira. Actualizei a grafia, deixei ficar a pontuação original.
Portugal por estes dias e em vários departamentos:


Sempre tu hás-de bailar
e sempre ele há-de tanger?
Se não tiveres que comer,
o tanger te há-de fartar?

para depois :


Eu não tenho  mais de meu
somente ser comprador
do Marechal meu senhor,
e sou escudeiro seu.
Sei bem ler
e muito bem escrever,
e bom jogador de bola,
e, quanto a tanger viola,
logo me vereis tanger.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Un certain regard



Sei o que  devia fazer
e o que não é necessário
imaginar,
porque me foi ordenado
tantas vezes
que já me doem
as vontades de recusar.


segunda-feira, 4 de julho de 2016

O melancólico Lenau

Nasceu em terra húngara agora romena e rebaptizada com o seu nome: Lenauheim. Meio chalupa da cabeça, chegou a viver nos EUA com uns místicos de uma sociedade ( os harmonistas)  fundada por um autoproclamado profeta, George Rapp. Depressivo, apaixonado pela mulher de um amigo, morreu com quarenta e oito anos, em Viena, em 1850.
 Desenrola aqui uma harmoniosa ( não harmonista) definição anti-estóica:


Heart, 'tis fatal thus to harken,
Let not fear thy courage darken,
Though the past be all regretting
And the future helpless fretting.

( trad. Nick Tullius)